Quinta-Feira, 19 de Setembro de 2019, 17h:16

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CPI se torna secreta e presidente lamenta: "surpresa desagradável"

Por: PAULO COELHO

Por uma manobra dos deputados Dilmar Dal Bosco (DEM), Nininho (PSD) e Janaina Riva (MDB), o depoimento do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, considerado um dos maiores delatores de esquemas da JBS, à CPI da Renúncia e Sonegação, nesta quinta-feira (19), aconteceu em uma sessão secreta.  Para o presidente da comissão, deputado Wilson Santos (PSDB), o pedido dos colegas foi uma "supresa desagradável".

Alan Cosme/HiperNoticias

wilson santos

 Deputado Wilson Santos 

A CPI, que estava marcada para às 14 horas, estava sendo transmitida pela TV Assembleia, porém após o pedido dos três parlamentares, Wilson, por voto vencido, teve que colher o depoimento de Funaro de portas fechadas, sem a presença da imprensa.

“O Funaro tem dado depoimentos abertos na Câmara dos Deputados, no Senado, em CPIs, Ministérios Públicos e ele foi consultado por mim e disse que gostaria, sim, de depor abertamente, mas a proposta de sessão secreta foi majoritária, por 3 votos a 1, então decidimos fazer a sessão secreta”, disse Wilson.

“Eu fui surpreendido na CPI com esse requerimento. A princípio todos os deputados votaram favoráveis e isso foi uma surpresa desagradável. Estou no meu quarto mandato e é a primeira vez que participo de uma sessão secreta”, completou o tucano.

Dal Bosco, que é suplente na CPI e líder do Governo na Assembleia, argumentou que o motivo de manter a sessão sob sigilo seria para garantir a segurança jurídica do depoimento do doleiro.

CPI DA RENÚNCIA E SONEGAÇÃO

O doleiro veio à Assembleia Legislativa para prestar esclarecimentos em relação a fraudes de pagamentos de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias em Serviços (ICMS) no Estado, reveladas por ele durante a CPI do BNDES na Câmara dos Deputados, no dia 28 de agosto.

Na ocasião, Funaro declarou que o empresário Joesley Batista, do grupo empresarial J&F, omitiu declarações em sua colaboração premiada firmada perante o Supremo Tribunal Federal (STF).

A fraude de ICMS em Mato Grosso estaria vinculada ao pagamento de propina a agentes políticos para favorecimento indevido e um empresário de Várzea Grande- o [possível] responsável pelas articulações que viriam a favorecer o grupo J&F.

De acordo com o presidente da CPI, deputado estadual Wilson Santos, o foco principal das investigações é desvendar a existência de fraudes que possam subsidiar os órgãos de investigação e, ao mesmo tempo, contribuir para uma legislação mais segura e eficiente que permita ao estado, futuramente, reprimir a sonegação de impostos para auferir uma significativa margem de arrecadação.

“O que interessa a Mato Grosso é que crimes fiscais sejam duramente combatidos para evitar essa discrepância de que o cidadão que ganha pouco muito contribui e aquele que muito ganha se utiliza de artimanhas para prejudicar o estado”, disse.

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