Quinta-Feira, 22 de Agosto de 2019, 11h:36

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Conversas de WhatsApp entre PMs revelaram esquema de fraudes em armas

Por: LUIS VINICIUS

A prisão de policiais militares nesta quarta-feira (21), acusados de fraudes em arma de fogo, só foi possível porque o celular de um deles foi periciado em outra operação. Ocorre que as investigações da “Operação Coverage”, iniciaram-se após uma extração de dados do celular do tenente Cleber de Souza Ferreira, preso durante a “Operação Assepsia” deflagrada há mais de dois meses pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).

A informação foi confirmada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

Alan Cosme/HiperNoticias

GCCO

A Operação Assepsia foi deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado em 18 de junho

Cleber foi preso no dia 18 de junho suspeito de facilitar a entrada de 86 celulares na Penitenciária Central de Cuiabá (PCE). Além do mandado de prisão, os agentes cumpriram mandado de busca, a qual foram apreendidos, o celular, uma arma de 9 mm, de marca Glock, e o registro.

Depois da apreensão, o aparelho foi encaminhado à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), onde foram realizadas extrações de conversas do aplicativo WhatsApp.

Desses diálogos, os policiais descobriram um suposto grupo criminoso composto pelo próprio tenente Cleber, tenente Thiago Satiro Albino; tenente coronel Marcos Eduardo Ticianel Paccola e o tenente coronel Sada Ribeiro Parreira.

Essa organização, segundo a Polícia Civil, visava fraudar a origem da arma para o cometimento de outros delitos.

A Polícia Civil descobriu que essa pistola teria sido usada por Cleber em crimes de homicídios ligados aos inquéritos da "Operação Mercenários".

A arma foi encaminhada à Perícia Técnica e Identificação Oficial (Politec) pela Polícia Militar, para exame de balística por conta de o tenente ter, em tese, efetuado um disparo de arma durante uma festa junina da Rotam, em 2018.

Depois, em 2019, a DHPP pediu perícia em todas as armas calibre 9 mm, que tinham passado pela Politec, nos últimos dois anos, para conexão a eventuais crimes de homicídios. 

A Politec constatou em laudos periciais de balística a utilização da pistola em três homicídios consumados e quatro tentativas de homicídios, ocorridos entre os anos de 2015 e 2016. A suspeita é de que os militares fariam parte de um grupo de extermínio.

Nessa fase da investigação, a DHPP apurou que a arma pertencia ao tenente Cleber na data dos crimes, com registro no Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma).

Quando da prisão do tenente na operação Assepsia, a GCCO verificou que havia diversas fraudes praticadas por ele com objetivo de dar legalidade a uma arma 9mm, a mesma que foi descoberta recentemente vinculada aos inquéritos da operação Mercenário.

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