Os promotores de Justiça do Ministério Público Estadual (MPE) asseguraram que há risco de queda da Arena Pantanal se obra for inaugurada sem correções dos danos estruturais causados pelo incêndio em outubro do ano passado. A previsão de entrega da obra é para o mês de março.
O incêndio foi originado pela queima de placas de isopor localizados no subsolo da Arena, conforme divulgou a Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) na ocasião. O material seria usado para o forro do estádio.
Na época, o MPE instaurou inquérito civil e três relatórios foram elaborados pelo Centro de Apoio às Promotorias de Justiça (CAOP) indicando que o incêndio causou danos à estrutura do estádio.
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Um dos laudos comprova que há risco da Arena vir abaixo se correções na estrutura não forem realizadas. Inclusive, a página 49 do documento aponta que a Secretaria precisaria fazer testes nas duas paredes atingidas pelo incêndio, conforme informações repassadas pelos promotores em coletiva de imprensa realizada nesta tarde (17).
Este documento foi encaminhado à Secopa em 10 de dezembro e os promotores Alexandre de Matos Guedes, Carlos Eduardo Silva e Clóvis de Almeida Júnior estipularam prazo de 20 dias para que a secretaria se pronunciasse.
Contudo, mesmo com o documento em mãos desde dezembro, a Secopa só se manifestou no último dia 7, praticamente 60 dias depois, alegando que seriam necessários mais estudos conclusivos para ter ciência plena do problema.
A informação foi repassada ao MP no período em que a secretaria ainda não tinha mudado a data de inauguração do estádio que estava marcado para o dia 22.
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Para o promotor Alexandre Guedes, a situação é de temor. “Nem todas as paredes foram vistoriadas e há risco de queda. Não queremos passar vergonha como no Engenhão”, afirmou lembrando que o estádio do Rio de Janeiro foi interditado poucos anos após ser inaugurado em decorrência de problemas estruturais e, agora, precisa de obras de correção.
Já sobre a data para que a Secopa emita um relatório formal em que aponte a realidade da Arena e as correções a serem realizadas, o promotor informou que quer celeridade já que “o prédio não poder ocupado se não tem relatório formal”.
Contudo, ele foi taxativo em dizer que, no que depender do Ministério, não há prazo ou mesmo pressa. “A pressa é da Secopa. O limite são os jogos do evento mundial”, afirmou lembrando que não é necessário que a Arena seja inaugurada agora em março, já que “ainda há tempo para tudo ser reparado. Não queremos uma tragédia da Boate Kiss nem da Feicovag onde várias pessoas morreram e milhares se feriram”, alertou Guedes.
Diante do cenário, o Núcleo de Acompanhamento do MPE pediu novos laudos para as empresas Mendes Junior, Entape e Concremat, responsáveis pelas obras da Arena, para saber a realidade da construção. Além disso, deve ser realizado, ainda nesta semana, uma vistoria das obra. Estarão presentes representantes do MPE em parceira com o Ministério Público Federal (MPF) que instaurou um inquérito civil sobre o caso.
ARENA
O estádio é a obra prioridade da Matriz de Responsabilidade estabelecida pela Fifa e o Estado, e está em execução desde 2011. Quando o contrato foi firmado, a previsão era de gasto em torno de R$ 372 milhões e a obra deveria estar conclusa em 2013.
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Contudo, até agora, a Arena já consumiu R$ 510 milhões e sua inauguração está longe de ter data para acontecer. Pelo menos, 45 mil pessoas devem ir ao estádio na época dos jogos da Copa.
Já estão previstos jogos entre Mixto e Operário, e União e Luverdense na inauguração da Arena, além das partidas entre Mixto e Santos no dia 2 de abril pela Copa do Brasil e a partida entre Luverdense e Vasco no dia 26 de abril pela série B do Campeonato Brasileiro.