A diretora do Instituto de Hematologia do Centro-Oeste (Ihemco), Emília Borba, afirma que ainda não recebeu nada para trabalhar em nove meses como laboratório responsável pela coleta de sangue no Pronto-Socorro de Cuiabá.
Conforme reportagem do HiperNotícias, o pronto-socorro tinha como parceiro o Hemocentro, que de forma súbita foi retirado da unidade para dar lugar à empresa privada.
Em argumento para a saída do banco de sangue público, o ex-diretor superintendente do PSMC, Antônio Inácio, afirma que havia ineficiência do trabalho e após avaliação jurídica decidiram pela contratação da Ihemco.
O próprio diretor avaliou para colegas da Saúde que o banco de sangue público deveria ser complementar ao banco privado, pensamento este que vai contra o projeto do Sistema Único de Saúde (SUS).
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Porém, a grande questão é quem vai arcar com custos altos como um frasco para exame de imunohematologia com 10 ml para anti-RH por R$ 181,075; ou o Kit de sorologia que custa R$ 75,00.
Sem contar os valores para exames sorológicos, cujo objetivo é identificar alterações no sangue como HIV, Sífilis e Hepatite B e C. Os valores foram buscados na tabela de licitação da Secretaria de Estado de Saúde.
CONTRATO
A atual diretora do pronto-socorro, Iracema Queiroz, foi procurada via assessoria da prefeitura. A reportagem recebeu a informação de que a Ihemco tem contrato mensal no valor de R$ 25 mil com a Secretaria Municipal de Saúde. O contrato é de um ano e se encerra em julho deste ano, o que totaliza R$ 300 mil.
Emília Borba afirma que a Ihemco arca com os custos e todas as demais responsabilidades, e que a reportagem deveria procurar a Coordenadoria de Controle e Avaliação, Evaldo Ferreira de Sousa, já que é o Estado que realiza os pagamentos da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).
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SEM COERÊNCIA
A reportagem procurou o ex-secretário de Saúde Lamartine Godoy sobre o contrato assinado por ele para a empresa Ihemco fornecer serviços.
Godoy se comprometeu a enviar o contrato para a reportagem e afirma que assinou o contrato baseado nas informações do diretor do pronto-socorro na época. A alegação era de que o Hemocentro não tinha mais insumos para trabalhar no local.
Tanto Lamartine Godoy quanto o atual secretário da pasta, Kamil Fares demonstram desconhecer o termo de compromisso (CIB 045 de agosto de 2007) firmado com o Estado.
Kamil disse em entrevista que não poderia pedir o retorno do Hemocentro, se o mesmo não tem capacidade para atuar no PSMC.
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“Isso não procede. É de responsabilidade do PSMC a compra dos insumos. O pronto-socorro não adquiria. Além disso, o Hemocentro seria apenas um apoio conforme prevê a parceria”, afirma Alzira Saldanha.
Pelo que foi firmado entre Hemocentro e Prefeitura de Cuiabá, fica sob responsabilidade da instituição estadual o apoio em fornecer equipamentos, realização dos exames de sorologia, e outros diagnósticos da bolsa de sangue, qualificação dos técnicos e enfermeiros contratados pelo município.
Entre itens da cláusula, o Pronto-Socorro de Cuiabá teria que se comprometer a realizar a manutenção dos equipamentos e aquisição de materiais de consumo laboratorial que garantam o funcionamento da Unidade de Coleta Transfusão (UCT); realizar o processamento, armazenagem e distribuição das bolsas de sangue colhidas.
RELAÇÃO PRÓXIMA
De acordo com uma fonte do Hipernotícias a Ihemco tem relacionamento estreito com o ex-secretário Vander Fernandes desde que ele era diretor do Hospital Geral, onde a empresa atuava.
O ex-secretário manifestou-se surpreso ao saber que a Ihemco entraria no PSMC, na época em que o Hemocentro foi retirado da unidade em julho de 2012. A observação foi inserida no relatório dos conselheiros, mas segundo a fonte, já havia uma situação por trás dessa “surpresa”.
Questionada se há relação de amizade com Vander Fernandes, Emília Borba negou e disse que a relação é estritamente profissional.
O Hemocentro foi retirado do local em um período que foi trocado a gestão do PSMC por uma empresa privada, lembra a fonte.
A Ihemco atua em vários bancos de sangue do Estado. Além do Pronto-Socorro de Cuiabá, atua também no Hospital Metropolitano de Cuiabá, e nas cidades de Colíder, Alta Floresta. Todos os hospitais são gerenciados por empresas privadas.
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