Sexta-Feira, 09 de Novembro de 2018, 07h:43

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Escola sem partido

Está acontecendo uma guerra na qual as armas são a palavra e os conceitos

Por: ROSÁRIO CASALENUOVO JÚNIOR

 

Assessoria

Rosário Machado

 

Escola sem partido?

 

Escola com um partido apenas (sempre esquerda)?

 

Ou escola livre e neutra com todos os partidos?

 

Qual você quer para seu filho estudar?

 

Está acontecendo uma guerra na qual as armas são a palavra e os conceitos. Será votado um projeto de lei que visa limitar o comportamento dos professores e das escolas, ao abordar temas ligados a conceitos políticos.  De um lado, a direita conservadora entende que os professores aliciam os alunos para se encantarem pela filosofia da esquerda, que é socialista, comunista e anticapitalista. No outro extremo, estão os professores e parte da sociedade, que classificam a atitude como uma mordaça, o bloqueio da liberdade de expressão, uma atitude que vem da ditadura militar , tipo AI5. Lembra-se do movimento proibido proibir?

 

A humanidade transita em um pêndulo que se movimenta da esquerda para a direita, sendo que ele somente retorna quando chega ao extremo e todos os movimentos que foram feitos para empurrar o pêndulo para um lado agora caem por terra, e os incomodados criam novos protestos para mover esse cordão para o lado oposto. Então a musica do Caetano Veloso “Proibido Proibir” está demodê, fora de moda, ultrapassada, considerando que estamos  com a bola de ferro que se balança no espaço e no tempo, foi para o extremo do socialismo liberal, parou e agora esta voltando lentamente e se movendo no sentido da direita conservadora. A arte sempre caminhou assim, recordam dos movimentos literários? Sempre um se opondo ao outro e a vida segue a arte sempre.

 

Há coisas novas na parada. Outras gerações que nasceram com tanta liberdade que hoje a educação não é mais educação e sim um relacionamento horizontal (onde todos mandam igual e  obedece  ninguém ou quem quer). Dá para entender isso? Se entendeu, me explique. Hoje, uma geração de filhos “perdidos”, sempre ouvi isso, meus avós falavam dos meus pais, e meus pais de nós. Mas diante de tanta bagunça, os filhos de hoje estão mais “caretas” que os pais.  Pelo menos os meus são. Os espíritas falam que a geração dos pais é de intelectuais, e os filhos índigos trazem os conceitos morais. Achei perfeito isso.

 

O Brasil hoje pede ordem. Então vamos colocar ordem nessa confusão! Qual alternativa você escolheu nos temas acima? A escola sem partido? Escola com apenas um partido (o de esquerda) ou a escola livre e neutra com todos os partidos?

 

Acredito que seja a última, para que o aluno conheça todos os partidos e a política com o jeitão que ela tem no Brasil. Escola é para dar informação e não induzir ao convencimento, à unanimidade, que é sempre burra.

 

Fui professor durante 30 anos e acho um desperdício o aluno sair pensando como eu penso. Gosto de dar subsídios para que novas ideias e conceitos surjam. A divergência é minha amiga, só me faz bem, me força a crescer. Se eu tenho uma ideia e alguém me traz outra contrária, vamos juntar as duas e formar a terceira. Não é maravilhoso?

 

Então se os gritos forem por uma escola de apenas um partido (esquerda, nunca vi de direita), isso é uma mordaça aos estudantes, é um bloqueio de informações, uma censura como em uma ditadura, que por sinal acontece em todos os países comunistas, como Cuba, Coréia do Norte, Venezuela. Esses países controlam a imprensa, existe  somente um partido que é o vermelho. Não se pode ter nenhum oponente.

 

Temos uma jovem democracia, não gostamos da ditadura, mas pela história como o Betinho que fala em um vídeo que passa todos os dias na Globo News, “existe uma maneira de contar a história e uma maneira de fazer a história”, acredito que quando os militares tomaram o poder e formaram uma ditadura capitalista, os comunistas estariam prontos para tomar o poder também e formar uma ditadura comunista, como em Cuba e União Soviética, não escaparíamos da repressão.  Mas já passou e agora temos sempre um medinho que os partidos dos extremos possam trazer de volta a dita ditadura.

 

Ensinar é muito prazeroso, levar a luz para as crianças e jovens, várias formas de pensar, e colocar com o zelo de não ter tendências, de não influenciar nas conclusões, mas sim estimular a tira-las por si só. O filosofo espiritualista Osho disse: “as crianças só deveriam ter um influência sobre as doutrinas religiosas após os 13 anos de idade, para depois escolher a religião que lhe tocar. O que eu ensinava em uma aula, ou até mesmo em um curso de 3 anos, era muito pouco para a vida prática. Colocar em dúvida o quanto não sei e o que tenho para buscar e aprender é o que dá sentido à ciência. Ensinar a buscar a ser aprendiz sempre.

 

Agora, uma discussão sobre esse tema, que pode definir um novo posicionamento do professor durante as aulas, deve ser bem entendida para que os pais possam escolher o que será aplicado para conduzir o modo de pensar dos futuros trabalhadores brasileiros e, principalmente, os futuros eleitores que escolherão o regime político deste país.

 

*ROSÁRIO CASALENUOVO JÚNIOR é Diretor Clínico do Instituto Machado de Odontologia – Brasília (DF), São Paulo (SP) e Cuiabá (MT); Co-autor do livro Cirurgia Ortognática e Ortodôntica; Presidente da ABOR-MT (Associação Brasileira de Ortodontia – SEC.MT); Membro da Academia Libero-Latino-Americana de Disfunção Crâneo-mandibular e Dolor Facial; Membro da Academia Libero Latino Americana de Estética Médica e Interdisciplinar. Especialista em: Ortondontia (Bioprogressiva e Arco reto); Ortopedia Funcional dos Maxilares Dor Orofacial e Disfunção de ATM; Formação no Conceito Castillo Morales de Reabilitação; Autor do Conceito Arquitetura da Face; Autor do Conceito Ortodontia Funcional e Estética. Email: dr.rosario@institutomachado.com.br 

 

 

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1 Comentários

Rodrigues Schneider - 09/11/2018

Como diria Amaury Cesar de Moraes: Entendo a escola pública ainda como espaço de transição para o mundo político, visto que se situa entre a família – âmbito privado por excelência – e a sociedade civil – esfera caracteristicamente política –, e o professor como agente público a quem cabe a formação de crianças (e jovens), conforme diz Arendt: Normalmente a criança é introduzida ao mundo pela primeira vez através da escola. No entanto, a escola não é de modo algum o mundo e não deve fingir sê-lo; ela é, em vez disso, a instituição que interpomos entre o domínio privado do lar e o mundo com o fito de fazer com que seja possível a transição, de alguma forma, da família para o mundo. Aqui, o comparecimento não é exigido pela família, e sim pelo Estado, isto é, o mundo público, e assim, em relação à criança, a escola representa em certo sentido o mundo, embora não seja o mundo de fato (2007, p. 238). Assim, as escolhas feitas pelo professor devem ser norteadas pela responsabilidade, superando em sala de aula as suas convicções pessoais em favor da construção da autonomia dos alunos (Weber, 1983); e mesmo mantendo-se nos limites do que se tem chamado de alfabetização científica (scientific literacy) – algo praticado há décadas na área das ciências naturais –, o ensino de Sociologia cumpriria um importante e necessário papel na educação básica, fazendo diferença.

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