Domingo, 15 de Setembro de 2019, 09h:35

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Parlamentares discordam de Selma: "mulheres gostam de política"

Por: O GLOBO

Moreira Mariz/Agência Senado

Senadora Selma Arruda

 Selma afirmou que mulheres não gostam de política

A afirmação de que "mulheres não gostam de política", feita pela senadora Juíza Selma (PSL-MT), parece não ter eco em suas colegas do Parlamento. Mesmo que por motivos diferentes, parlamentares se mostraram contrárias ao que pensa a senadora.

Feminista e engajada em projetos de direitos das mulheres, Sâmia a deputada Bomfim (PSL-SP) diz discordar completamente de Selma. Para ela, mulheres gostam da política e querem ter mais espaço de participação, mas entraves na sociedade dificultariam a participação política feminina.

— O principal (entrave) está dentro de alguns partidos políticos, que não cumprem com a legislação de garantia de 30% de reserva de vagas e também do fundo eleitoral. E tem também a própria misoginia do presidente Jair Bolsonaro e de alguns de seus ministros, que sempre dão declarações machistas e que confrontam as mulheres — declara a deputada federal.

Ela menciona o fato de que até 2016 não havia banheiro feminino no plenário do Senado e diz que esses "elementos simbólicos e culturais expulsam as mulheres da política".

— Dizer que as mulheres não gostam da política é não assumir a culpa que alguns desses partidos, inclusive do PSL, têm na ausência de mulheres nos espaços de poder.

A deputada estadual Leticia Aguiar afirma que a frase da senadora é "muito forte", mas justifica que o tempo dedicado aos "afazeres pessoais" impedem as mulheres de procurar trabalhos que exijam delas muito tempo.

— Estou aqui hoje justamente porque eu gosto e entendo que a política é importante. Não é que elas não gostem de política. As mulheres são maioria no eleitorado, mas elas não estão votando nas candidatas mulheres ou porque talvez não se tenha uma participação boa de candidatas.  Mas acho realmente é que temos que conquistar nossos espaços, e não pelo fato de ser mulher.

Letícia  diz que a dedicação que a política exige é muito grande e isso acaba afastando as mulheres que precisam se dedicar às casas, famílias e filhos. Ela, no entanto, diz ser contra cotas para mulheres e que o espaço feminino na política deve ser conquistado por "merecimento e competência".

Colegas de Senado, Mara Gabrilli (PSDB-SP) discorda da posição de Selma. Para a senadora paulista a declaração de que "mulher não gosta de política" é um "pensamento sexista e equivocado". Mara defendeu a tipificação do crime de feminicídio e a adoção de cota mínima para candidatas nas eleições. ]-Esse é um pensamento equivocado e sexista. É o mesmo que dizer que homem não pode, por exemplo, ser cuidador. Tem homem e mulher para tudo. O que precisamos é estimular, não desconstruir capacidades e potenciais-disse Mara.

Para a senadora tucana, a vocação para a política é inerente à mulher.

— Temos senso de governança porque é da nossa natureza conceber, cuidar, conduzir. Basta pensarmos que para cada político (homem) houve uma mulher que o educou. A vocação política de cada uma de nós, mulheres, só é canalizada em áreas diferentes – seja na esfera pública ou fora.

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