Sexta-Feira, 21 de Junho de 2019, 10h:55

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Reunião entre diretores, PMs e líder do Comando Vermelho durou uma hora, aponta investigação

Por: LUIS VINICIUS

Investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) apontam que os diretores da Penitenciária Central do Estado (PCE) e os três policiais militares, presos na Operação Assepsia, se reuniram por cerca de uma hora, a portas fechadas, com um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CVMT), Paulo César da Silva, conhecido como “Petróleo”.

Reuni?o servidores e petr?leo

O encontro, de acordo com a GCCO, teria ocorrido no dia 6 de junho, data em que foram apreendidos 86 celulares na guarda da unidade penitenciária. O diretor do presídio, Revétrio Francisco da Costa, teria ordenado aos agentes penitenciários que não fosse registrada a entrada da caminhonete Ranger, fato que chamou a atenção dos investigadores.

Diante disso, os policiais solicitaram as imagens do circuito interno de segurança do presídio do dia da apreensão. Conforme o relatório da GCCO, às 13h49 o veículo carregado com o freezer chega à guarda da PCE. Em seguida, o refrigerador é deixado no local e o motorista da caminhonete se retira do presídio, sem qualquer tipo de registro.

Às 15 horas, chega um veículo VW Gol, ocupado por três homens no presídio. Conforme relatório da GCCO, essas três pessoas são o tenente Cleber de Souza Ferreira, o subtenente Ricardo de Souza Carvalhaes de Oliveira e o cabo Denizel Moreira dos Santos Júnior.

Os militares, segundo a investigação, se encontram com Revétrio e o subdiretor Reginaldo Alves dos Santos e se dirigem até a sala da direção da unidade. Pouco tempo depois, teria sido conduzido até o cômodo o detento Paulo César da Silva.

Na sala, os servidores e o detento teriam conversado por cerca de 60 minutos. O conteúdo, porém, não consta no relatório.

“Consta relatado que por uma hora, os cinco servidores públicos estiveram em uma reunião a portas fechadas com o criminoso dentro da sala dos diretores da unidade”, diz parte do trecho do pedido de prisão dos agentes que o HNT/HiperNotícias recebeu com exclusividade.

Por volta das 17 horas, uma agente penitenciário, que é chefe da equipe da guarda, questiona sobre o freezer que estava na guarda. Em seguida, ela é informada que o refrigerador é de responsabilidade de Revétrio e seria destinado ao Petróleo.

No entanto, a servidora determinou, como parte do procedimento operacional padrão, que o objeto fosse submetido ao exame de scanner corporal antes de ser transportado para a sala do diretor. No entanto, durante o trabalho, teria notado uma “anormalidade” no objeto e por isso realizou a vistoria por cerca de quatro vezes.

Depois da quarta tentativa, a agente encontrou os 86 celulares, carregadores e fones de ouvido. Após a descoberta dos aparelhos telefônicos, é possível ver por meio de imagens do circuito interno, que os policiais Ricardo e Denizel voltam à unidade e conversam “reservadamente” com Revétrio.

Prisões

Depois da prisão, os diretores foram encaminhados ao Centro de Custódia de Cuiabá (CCC). O policial Cleber foi levado ao 3º Batalhão da Polícia Militar. Já Ricardo e Denizel foram levados ao Batalhão de Operações Especiais (Bope).

 

Veja o vídeo da chegada dos PMs

 

 

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