Segunda-Feira, 24 de Junho de 2019, 18h:35

Tamanho do texto A - A+

Diretores prestam depoimento e alegam que foram "usados" por PMs

Por: LUIS VINICIUS

O diretor da Penitenciária Central do Estado (PCE), Revétrio Francisco da Costa, e o subdiretor, Reginaldo Alves dos Santos, prestaram depoimentos na tarde desta segunda-feira (24), na Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), em Cuiabá. Durante as oitivas, que durou cerca de 02h30, os agentes penitenciários alegaram que foram “usados” pelos policiais militares, que também foram presos na Operação Assepsia, deflagrada no último dia 18 de junho.

Alan Cosme/HNT/HiperNoticias

juliana palhares/gcco

 A delegada Juliana Palhares foi uma das presidentes do inquérito

Os depoimentos foram iniciados por volta das 14h30 e foi presidido pelos delegados Frederico Murta e Juliana Chiquito Palhares. Nas oitivas, que terminaram às 17h, os diretores mantiveram a versão que são inocentes e afirmaram que foram vítimas dos policiais Cleber de Souza Ferreira, Ricardo de Souza Cavalhaes de Oliveira e o Denizel Moreira dos Santos Júnior.

“Eles mantiveram a versão apresentada na audiência de custódia e disseram que não sabiam que o freezer estava ‘recheado’ com celulares, carregadores e fones de ouvido. Os diretores informaram que foram usados pelos PMs”, disse uma fonte ao HNT / HiperNotícias.

Depois do procedimento, os diretores foram reencaminhados ao Centro de Custódia da Capital (CCC), anexo ao Centro de Ressocialização de Cuiabá (CRC), onde estão à disposição da Justiça. A reportagem acompanhou com exclusividade o momento em que Revétrio e Reginaldo deixaram a unidade policial em uma viatura da GCCO.

Os diretores foram presos suspeitos de facilitarem a entrada de 86 celulares na PCE, no último dia 6 de junho. Os aparelhos estavam acondicionados em um freezer que era trazido por uma caminhonete Ranger.

Revétrio teria, segundo a GCCO, ordenado que o carro entrasse sem nenhum registro e que o freezer fosse colocado na sala da direção. No entanto, uma agente da guarda do presídio desconfiou e realizou uma vistoria no equipamento. Durante o procedimento, a servidora localizou os celulares.

Neste momento, policiais da GCCO que estavam na unidade penitenciária, perceberam uma movimentação e descobriram a apreensão.

Imediatamente, os policiais da GCCO questionaram os agentes sobre a apreensão, porém nenhum dos envolvidos soube explicar como o veículo entrou na PCE. Diante disso, todos os agentes que trabalhavam na guarda e o diretor foram encaminhados à sede do GCCO para prestarem depoimentos.

Na delegacia, os agentes da unidade penitenciária informaram que não houve qualquer registro da entrada dos celulares, tampouco do veículo. Ao serem questionados, eles alegaram que Revétrio teria ordenado que não fosse anotada a entrada da camionete. 

“A falha no procedimento de segurança teria ocorrido de ordem expressa e verbal pelo diretor Revétrio Francisco da Costa, que teria autorizado a entrada de um freezer, supostamente trazido por uma equipe da polícia e que deveria ser condicionado em sua sala quando fosse entregue na unidade prisional”, diz parte do trecho da decisão a qual a reportagem teve acesso.

 

Leia mais

 

Assof diz que prisões de militares foram equivocadas e que coronel sabia da ação na PCE

Avalie esta matéria: Gostei | Não gostei - 1