Quinta-Feira, 22 de Agosto de 2019, 12h:00

Tamanho do texto A - A+

Delegado diz que Valtenir se protegeu em esquema usando assessores como "laranja"

Por: FERNANDA ESCOUTO

O delegado da Polícia Federal, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, responsável pela Operação Tapiraguaia deflagrada nesta quinta-feira (22), afirmou que o suplente de deputado federal Valtenir Pereira (MDB) se “blindou” no esquema usando assessores para receber propinas.

Alan Cosme/HiperNotiicias

valtenir pereira

 Suplente de deputado federal Valtenir Pereira 

O ex-deputado federal, que hoje é suplente de Carlos Bezerra, teve mandado de busca e apreensão cumprido em sua residência na Capital.

De acordo com a Polícia Federal (PF), Valtenir usava o cargo federal para conseguir recursos com o objetivo de construir pontes em algumas cidades do estado, como Confresa (1161 km de Cuiabá) e Serra Nova Dourada (1022 km de Cuiabá).

As obras da prefeitura de Confresa teriam gerado em torno de R$ 413 mil em propinas aos agentes públicos envolvidos, enquanto as de Serra Nova Dourada o montante de R$ 187 mil.

“O ex-deputado quem pedia à União o dinheiro para essa região. Ele era o canal com Brasília, ele facilitava a contratação. Vinha convênios para construção de pontes. Em Confresa seriam construídas oito pontes, mas só uma foi construída, mal e porcamente. As outras não foram entregues e todas foram pagas. O dinheiro sumiu, eles dividiram entre eles”, disse o delegado, em tom de indignação durante entrevista coletiva.

Ainda segundo Cotta, em Serra Dourada foi destinado recursos para a construção de 10 pontes, porém nenhuma foi construída.  

O delegado ressalta que o suplente não teve mandado de prisão em seu desfavor, porque ele usava os assessores para se proteger da polícia.

“O que se tem são os assessores dele recebendo dinheiro, pagando as contas e outras coisas. Ele se blindou, usando ‘laranjas’. Ele está indiciado, sim. Para a PF e o MPF [Ministério Público Federal], Valtenir é o responsável por tudo isso, mas a Justiça não decretou a prisão dele. Mas dentro da perseguição do caminho do dinheiro, sabe-se que é dele, o interesse era dele, e a participação é dele” , afirmou o delegado.

"Em Confresa, seriam construídas oito pontes, mas só uma foi construída, mal e porcamente. As outras não foram entregues e todas foram pagas. O dinheiro sumiu, eles dividiram entre eles".

Dois assessores de Valtenir foram presos nesta operação, um deles é Marcelo Luiz Faustino, detido em um hotel na Capital. O outro não teve o nome revelado.

Operação Tapiraguaia

Participam da ação mais de 30 policiais federais e servidores da Controladoria-Geral da União (CGU), que cumprem 12 mandados de busca e apreensão, três prisões preventivas e sete medidas cautelares nos municípios mato-grossenses de Cuiabá, São Félix do Araguaia, Serra Nova Dourada, Bom Jesus do Araguaia, Apiacás e também em Brasília/DF. Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal de Barra do Garças/MT, que também determinou o sequestro de bens e valores.

A segunda fase é resultado da análise dos dados bancários e dos objetos apreendidos durante a primeira fase da operação, ocorrida em janeiro de 2019. O material colhido aponta que o ex-deputado e atual suplente Valtenir Pereira (MDB), no período entre 2014 a 2016, teria montado um esquema criminoso em conluio com empresários e prefeitos de Confresa/MT e Serra Nova Dourada/MT.

As investigações mostram que o então deputado teria viabilizado a realização de convênios entre o Ministério da Integração Nacional – Secretaria Nacional da Defesa Civil e as prefeituras, amparando-se na justificativa de construção de pontes de concreto emergenciais, devido às enchentes provocadas pelas chuvas.

"Para a PF e o MPF, Valtenir é o responsável por tudo isso, mas a Justiça não decretou a prisão. Mas dentro da perseguição do caminho do dinheiro, sabe-se que é dele, o interesse era dele, e a participação é dele"

Os prefeitos, beneficiados com os recursos federais, realizavam licitações repletas de irregularidades, combinando previamente com os empresários contratados para a execução das obras. Os políticos exigiam propinas a essas pessoas, na medida em que fossem realizados os pagamentos.

Os valores utilizados nas propinas provinham na maioria das vezes de medições fraudulentas, como atestados de serviços não realizados ou realizados a menor. Os montantes eram repassados aos gestores municipais e ao ex-deputado, por meio de depósitos/transferências em contas de terceiros.

A análise policial também aponta a emissão de cheques, entregas de dinheiro em espécie e até mesmo pagamento de boletos e contas dos gestores públicos (contas de energia, boletos de estabelecimentos comerciais, dívida em hotéis, etc). Os valores repassados ao deputado eram, em regra, depositados em contas bancárias de seus assessores ou de empresas a eles vinculadas, sendo que uma das empresas é fantasma.

Leia mais: 

https://www.hipernoticias.com.br/politica//valtenir-e-alvo-da-pf-em-operacao-contra-esquemas-de-propina/137904

https://www.hipernoticias.com.br/policia/ex-prefeito-e-preso-acusado-de-pagar-propina-em-esquema-que-desviou-r-601-mil/137911

https://www.hipernoticias.com.br/politica/valtenir-se-diz-surpreso-e-lamenta-busca-e-apreensao-da-pf/137913

Avalie esta matéria: Gostei | Não gostei







Mais Comentadas