Quarta-Feira, 07 de Agosto de 2019, 14h:45

Tamanho do texto A - A+

Idoso morre e hospital é processado em R$ 100 mil

Por: FERNANDA ESCOUTO

O Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá está sendo acusado de falha na prestação de serviços médico-hospitalares, por insalubridade, com resultado de morte do paciente V.M., no dia 19 de maio de 2018. O processo foi protocolado na última segunda-feira na 8ª Vara Cível de Cuiabá.

Mayke Toscano/Hipernotícias

hospital jardim cuiab?

 

Conforme a ação indenizatória no valor de R$ 100 mil, V.M. tinha 67 anos e a causa da morte foi embolia pulmonar, septicemia e colecistite supurada.

De acordo com o processo, o paciente deu entrada no hospital no dia 27 de março do ano passado, para tratar de uma erisipela que acometeu suas pernas. Por ser diabético, idoso e com histórico de cirurgia cardíaca, o médico do Pronto Atendimento da unidade de saúde indicou a internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Segundo a ação, V.M., que era titular do plano MT Saúde, chegou consciente, andando e conversando. Após 12 dias internado, o senhor teve alta da UTI, permanecendo ainda sob os cuidados dos médicos. Entretanto, a partir do dia 8 de abril daquele mesmo ano, o idoso desceu do 3º andar do prédio, para internação em apartamento simples no hospital.

“As inclusas documentações (MV PEP – Prontuário Eletrônico do Paciente – doc. em anexo) e “evolução médica de internação” demonstram que a médica responsável, que acompanhou a internação do paciente no apartamento constatou a melhora do mesmo, entre os dias 08/04 a 13/04/18 com controle da infecção – com registro de que curativo estava sem sinais de infecção (sic). Inclusive, excelência, a médica responsável chegou a conversar com o paciente a respeito de alta no final de semana”, diz trecho da petição.

Porém, a família do paciente argumenta que devido as condições de salubridade não favoráveis e/ou falha na prestação dos serviços médicos hospitalares a infecção ressurgiu com força, com piora do quadro, tendo os médicos optado pelo retorno do mesmo a internação em UTI e reinício de tratamento com antibióticos.

“A prestação de serviços médicos hospitalares mostrou-se falha, na medida em que em estado de convalescência e acobertado pela cláusula de incolumidade, após comunicação de possibilidade de alta, ocorreu a falha na prestação do serviço expondo a infecção, e pior com o agravamento de seu quadro para Sepse, com risco de morte”, alegou o requerente.

“A complicação na saúde do pai do Autor é consequência da insalubridade do Hospital, e inobservância de preceitos legais obrigatórios, sendo que o réu não dispõe de Comissão de Controle e Prevenção de Infecções (CCIH), descumprindo preceito de Lei. No período de internação do pai do autor no réu ocorreram denúncias que ocasionaram até mesmo fiscalização dos órgãos competentes, sendo atestado graves irregularidades no réu (matérias jornalísticas, inspeção da vigilância sanitária”, completou.

Além de uma indenização no valor de R$ 100 mil, a família da vítima pede que o hospital pague as custas processuais.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a assessoria do Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá afirmou que ainda não foram notificados pela Justiça e que souberam da ação por meio da imprensa. Foi ressaltado também, que apesar da situação ter acontecido na administração anterior, o caso será apurado pelo jurídico da unidade de saúde.

Avalie esta matéria: Gostei | Não gostei

Leia mais sobre este assunto