Terça-Feira, 05 de Novembro de 2019, 15h:00

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A falta de respeito nas entrevistas

Por: WILSON CARLOS FUÁH

Reprodução

Wilson Fuáh

A palavra respeito provém do latim respectus e significa “atenção” ou “consideração”, respeito inclui cuidado, acolhimento e deferência.
Infelizmente o respeito deixou de existir nas relações políticas, e em cada entrevista, o que vemos e ouvimos, são trocas de ofensas ou palavras que tentam desqualificar a imagem do outro, simplesmente, porque este é um adversário político e futuro concorrente. 

Antigamente, para não ser desrespeitoso, quando o adversário político dizia uma mentira, o entrevistado dizia assim: “Vossa Excelência faltou com a verdade”.           

Hoje nas entrevistas e no debates políticos, vemos todo tipo de ataques verbais, que chegam a ser proibidos para os ouvidos das crianças, nas audiências e convocação de autoridade ao parlamento, o debate vira trocas de  grosserias e até palavrões sem medidas, cada um querendo ser mais autêntico que outro, e tornam-se transmissores de ódios e separações das pessoas,  pelo fato de defender as ideias diferente.
Sem falar nas entrevistas das autoridades do executivo, é um desrespeito total a quem tenta contrapor ideias diferentes e às vezes até os repórteres são destratados, e na tentativa de impor o medo, formulam ameaças, e  cada um querendo ser mais valentão que outro, com isso, há uma regressão de valores nas relações políticas e sociais,  e do jeito que a coisa vai, vamos voltar à era dos duelos, com espadas ou com revólveres. 
E esse  estado de desrespeitos tomou conta das reuniões sociais, também,  onde os familiares e os amigos estão se enfrentando e deixando para trás aquelas reuniões prazerosas de fim de semana, simplesmente pelo simples fato de ter pensamento divergentes em relação a política, e isso avança pelo grupos de WhatsApp e Facebook com trocas de ofensas e agressões gratuitas geradas por intolerância.     
A bipolarização da política, acentuou o ódio e o desrespeito entre as  autoridades e as pessoas, e assim, segue o jogo de enfrentamentos desnecessários, mas nós outros sabemos da necessidade dos debates de ideias,  diante dos fatos diários, ficamos perplexos e todo esse embates nervosos produzidos pelas autoridades constituídas, estão se posicionando como quem não está entendendo o que é a Democracia.
Vamos alertá-los, que a Democracia é um regime de governo e que tem como principal fator existencial, a promover a organização de um modo de vida aceitável pela sociedade, e está, pode promover a substituição dos dirigentes a cada eleição, e que através da Carta Magna dita os preceitos legais, dos quais,  são impostos  nas ações do governo, que emana do povo e para o povo, e este, deve seguir a orientação e ações tendo como essencialidade das relações: o respeito mútuo, o diálogo e principalmente a participação solidária em prol do bem comum, em todas as relações sociais cotidianas.
“O exercício da política, no sentido aqui adotado, é parte intrínseca da vida de todas as pessoas. Assim, ela implica não só o diálogo, mas a tomada de decisões por parte de comunidades. Fazer política em uma democracia é um modo prazeroso (embora demande trabalho) de resolver problemas, em que o processo é valorizado tanto quanto os efetivos resultados”.          
O respeito é necessário e essencial em qualquer tipo de relações humanas: em casa; nas escolas, nas ruas, nas igrejas,  no trabalho e na política também. O respeito é uma via de mão dupla, pois é através do respeito mútuo que se reconhece os valores individuais e coletivos.
É através do respeito mútuo que podemos demonstrar o reconhecimento, a aceitação, a apreciação e valorização das qualidades do próximo e de seus direitos. 

Se não houver o respeito não haverá o reconhecimento do valor próprio e também dos direitos dos indivíduos e da sociedade como um todo.

 

(*) WILSON CARLOS FUÁH é especialista em recursos humanos e relações sociais e políticas.

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