Segunda-Feira, 03 de Julho de 2017, 14h:53

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“Espaços urbanos precisam ser ocupados pela população para diminuir segregação”,

Por: REDAÇÃO

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso (CAU/MT), Wilson Fernando Vargas de Andrade, reforçou a necessidade de as obras urbanas serem pensadas como espaços de cidadania, com intervenções que favorecem o uso social pelas pessoas. A reflexão foi feita em função de uma proposta de revitalização da região no centro de Cuiabá, popularmente conhecida como Ilha da Banana, apresentada, recentemente, pela Secretaria de Estado das Cidades (Secid-MT). Na ocasião, o presidente do CAU/MT argumentou que os espaços públicos precisam ser projetados de forma a incentivar o uso coletivo, gerando qualidade de vida. “A sociedade moderna caminha para o isolamento. E o pior, isolamento por camadas, em guetos: os pobres para um lado e os ricos para outro, limitando determinado espaço ao uso de determinado público”, alertou. Segundo Andrade, investir em espaços públicos é resgatar essa interação e relacionamento humano. “O espaço público é para você se relacionar, usar e cuidar como se fosse seu. Ainda mais quando tem uma história a ser preservada”, disse.

 

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O projeto-base apresentado foi elaborado em 2014 pelo consórcio responsável pela obra de implantação do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), em Cuiabá. A área em questão possui 10 mil metros quadrados e está localizada entre as Igrejas do Rosário e São Benedito e o Morro da Luz. A proposta é rebatizar o local como Largo do Rosário, onde será construída uma praça, com espaço para celebração da cultura cuiabana. 

 

O desafio de tornar as cidades mais inclusivas é parte principal da Nova Agenda Urbana — documento que vai orientar a urbanização sustentável pelos próximos 20 anos, resultante da Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável – Habitat III, realizada em 2016, no Equador. 

 

De acordo com o presidente do CAU/MT, que participou do evento, os esforços deverão se concentrar na tarefa de pensar a maneira como as cidades são planejadas, financiadas, desenvolvidas e administradas. “A Nova Agenda Urbana prevê propostas estratégicas de urbanização para tornar os espaços urbanos mais resilientes e sustentáveis, gerando qualidade de vida para as pessoas”, expôs. 

 

Entre as questões incluídas nesse documento está a igualdade de oportunidades de uso para todos, o fim da discriminação territorial, a importância de cidades mais limpas, a redução das emissões de carbono, o respeito aos direitos dos refugiados e migrantes, e a implementação de iniciativas sustentáveis e de conectividade urbana.

 

A utilização do espaço de maneira adequada também foi defendida pela superintendente do Iphan em Mato Grosso, Andréia Hirata. “Para além do nosso posicionamento técnico, somos totalmente flexíveis para discutir projetos como esse. A viabilidade técnica do pré-projeto já está aprovada e vamos participar e colaborar na construção de uma proposta coerente para atender a todos”, disse a arquiteta.

 

A perspectiva da Secretaria das Cidades de Mato Grosso é dar início às obras no Largo do Rosário em 2018. Por enquanto, o projeto está recebendo contribuições.

 

 

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