Terça-Feira, 12 de Setembro de 2017, 08h:16

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Delator da Operação Rêmora entregou R$ 300 mil em mochila para ex-assessor de Silval Barbosa

Por: RENAN MARCEL

O empresário Giovani Guizardi, dono da Dínamo Construtora Ltda., pagou pelo menos R$ 300 mil em propina para manter o contrato com o governo do Estado no programa MT Integrado, da gestão de Silval Barbosa (PMDB). O recurso teria sido destinado ao “mensalinho” dos deputados estaduais, que foram flagrados, em vídeo, recebendo o dinheiro dentro do Palácio Paiaguás.

 

Reprodução

giovani guizardi remora

 Delator tinha relação de longa data com governo

A informação está na delação premiada do ex-chefe de gabinete de Silval, Silvio Cezar Correa Araújo, cujo acordo com a Procuradoria-geral da República (PGR) foi homologado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 9 de agosto.

 

De acordo com o documento, Giovani e o seu pai, Miguel Guizardi, foram até a governadoria, no primeiro semestre de 2014, com uma mochila cheia de dinheiro, que somava os R$ 300 mil. Eles entregaram o recurso diretamente a Silvio Cezar, porque o responsável por receber a propina do MT Integrado na Secretaria de Infraestrutura estava viajando na época.

 

“O declarante acredita que esse valor se referia ao pagamento de uma medição correspondente à obra executada pela construtora; afirma que esse pagamento específico de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) o declarante repassou em sua totalidade, a mando de Silval da Cunha Barbosa, para a pessoa de Avilmar”, traz trecho da delação.  

 

Guizardi é delator da Operação Rêmora, que investiga fraudes em licitações da Secretaria de Educação de Mato Grosso, relativas à atual gestão estadual. Neste caso, é apontado como líder do grupo de empresários que, em cartel, “leiloava” licitações para construções e reformas de escolas públicas estaduais, prejudicando assim a livre concorrência dos processos licitatórios.

 

Conforme o depoimento de Silvio Cezar, o secretário-adjunto de Infraestrutura à época, Valdisio Viriato, era o homem de confiança de Silval na Sinfra, e responsável por negociar o pagamento de propina com as empresas que participavam do MT Integrado.

 

Mesmo sem ter certeza, Silvio disse acreditar que todas as construtoras que faziam parte do pacote de pavimentação da rodovias no interior pagaram propina ao secretário-adjunto. Os valores giravam entre 3% e 4% de cada medição das obras, supostamente, efetuadas. O recurso arrecadado de forma irregular era então repassado de Valdisio para Silvio, que efetuava os pagamentos das dívidas do grupo político de Silval, incluindo o mensalinho dos deputados.

 

“As empreiteiras iam recebendo os pagamentos do governo por conta das obras realizadas, elas faziam os repasses da propina já pré-ajustada a Valdisio Viriato, que, por sua vez, fazia a entrega dos valores ao declarante, que ora pegava com Valdisio na Sinfra e ora recebida do secretário adjunto em seu gabinete na governadoria, sendo em sua grande maioria em dinheiro, como também em cheques das próprias empreiteiras”, diz trecho do documento.

 

Silvio Cezar conta, na delação, que, “por várias vezes”, o adjunto atrasava os repasses das propinas e por isso ele, como chefe de gabinete, fazia empréstimos para quitar as dívidas e o mensalinho, cumprindo assim a “missão” dada por Silval. Foi nessa ocasião, em virtude de uma viagem, que Valdisio indicou a Silvio Cesar os empresários da Dínanmo Construtura.

 

Os R$ 300 mil foram repassados, segundo o ex-assessor de Silval, para Avilmar, para quem o ex-governador tinha avalisado uma dívida de alguns deputados estaduais. Ao pagar Avilmar, Silvio resgatou um cheque de R$ 1,5 milhão em nome de Silval. 

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