Sexta-Feira, 29 de Setembro de 2017, 17h:38

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Câmera flagra quando Fabris deixa apartamento com mala na mão, pijama e chinelo

Por: PABLO RODRIGO/RENAN MARCEL

O deputado estadual afastado Gilmar Fabris (PSD), que está preso desde o dia 15 de setembro no Centro de Custódia da Capital (CCC) por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), tem contra a sua defesa imagens do circuito interno do edifício onde mora. Esta é a principal prova que sustenta o pedido de prisão preventiva. Ele é acusado de obstrução da Justiça.  

 

Nas imagens, às quais o HiperNoticias teve acesso com exclusividade, o parlamentar deixa a sua residência, juntamente com a esposa, Anglisey Battini Volcov, 20 minutos antes dos agentes da Polícia Federal cumprirem mandados da Operação "Malebolge" da qual foi alvo de busca e apreensão. O deputado carregava uma pasta.

 

 

 

Primeiro, Fabris chega em casa com o cunhado por volta da 1h da manhã. Depois, aparece às 5 horas e 34 minutos do dia 14 de setembro, entrando no elevador do prédio, vestido de bermuda e camiseta azul e chinelos, com cabelos despenteados e aparentemente sonolento, ao lado de sua esposa. O deputado está com uma mala preta, que, segundo a PGR, estaria com "documentos e valores de interesse das investigações".

 

Logo depois, os dois aparecem já na garagem do prédio entrando em uma caminhonete Range Rover para deixar o local. Para o ministro do STF Luiz Fux, a saída de Fabris configurou-se "estado de flagrância quanto ao crime de organização criminosa e especialmente o de embaraço à investigação criminal que envolve organização criminosa".

 

A decisão ainda revela que agentes da policial federal chegaram a procurar o deputado pelas ruas da Capital. "A polícia logo após descobrir a fuga do deputado estadual Gilmar Fabris, ainda no curso do cumprimento da busca e apreensão, colocou-se em seu encalço", diz outro trecho da decisão. Gilmar Fabris também gravado pelo ex-chefe de gabinete do Silvio Corrêa, onde ele aparece reclamando da quantia de dinheiro que ele, supostamente, teria a receber: "Só um pedaço? Por quê?", questionou o deputado ao chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), Sílvio Cesar Corrêa.

 

O deputado Fabris dialoga sobre a quantia de dinheiro distribuída a cada parlamentar, que seria de R$ 50 mil, e isto seria apenas um "pedaço". A delação do ex-governador foi firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux.

 

Alan Cosme/Hipernotícias

pf casa gilmar fabris

PF esteve na casa do deputado enquanto ele "tomava café"

Em depoimento à Polícia Federal, colhido no dia seguinte à operação Malebolge, o deputado Gilrmar Fabris disse que saiu de sua casa com a esposa, com a intenção de ir até a casa do ex-senador e secretário municipal de Várzea Grande, Jayme Campos (DEM).

 

No trajeto, ele chegou a ligar para o democrata, mas acabou sendo atendido por um funcionário, que informou que Jayme estava ainda dormindo, pois na noite anterior desfrutou da comemoração de seu aniversário.

 

“O declarante, como de costume, acordou muito cedo, e saiu com sua esposa de sua residência e tinham a intenção de se dirigir ate a residência de Jaime Campos (localizada em Várzea Grande/MT): No trajeto, o declarante telefonou para O celular de Jaime Campos, sendo atendido pelo "guarda" dele, dizendo este que ele estaria dormindo. pois, na noite anterior teve a festa de seu aniversário”, comprova trecho do depoimento do deputado.

 

Após a tentativa frustrada de ir para a casa de Jayme, Fabris tentou contato com o vereador Maninho de Barros (PSD), sem êxito. Ligou no celular do correligionário, mas estava desligado. Então, telefonou para a esposa de Maninho, que também não atendeu as ligações.

 

“O declarante, junto com sua esposa, foi para a residência do vereador Maninho de Barros, também em Várzea Grande, tendo tocado a campainha e ligado diversas vezes no telefone deste, mas não conseguiu contato uma vez que o celular estava desligado; o declarante também tentou manter contato com a esposa de Maninho de Barros, ligando no telefone desta por diversas vezes, porém ela não atendeu”. 

 

Diante disso, Fabris conta que percorreu a cidade de Várzea Grande, visitando obras realizadas pela Prefeitura Municipal. Depois, foi para a lanchonete Bolo de Arroz, em Cuiabá, com a companhia da sogra, da cunhada e do cunhado para tomar café da manhã. Lá, conversaram sobre a Operação Malebolge, que àquele horário já estava nas manchetes do HiperNotícias.

 

“O declarante decidiu verificar algumas obras realizadas na cidade Várzea Grande a exemplo do pronto-socorro e Fiotão, somente passando de carro; após a vistoria, feita de automóvel, o declarante, com sua esposa, foi para o estabelecimento Bolo de Arroz; No Bolo de Arroz estava com a esposa, e após convidou a sogra, a cunhada, o cunhado Ocimar para tomar café e também de lá, conversaram sobre a operação da Polícia Federal, perguntou a sogra o procedimento realizado no seu apartamento”, traz outro trecho do depoimento.

 

No dia da operação, o deputado foi almoçar no restaurante Seu Polino, com a esposa. Ele ainda carregava a maleta preta. Segundo o depoimento, após o almoço, Fabris foi para a Assembleia Legislativa à tarde. Depois do expediente, voltou para casa, arrumou as malas e foi, com a esposa, a sogra, o filho e o vereador Maninho de Barros, para Rondonópolis. Fabris diz que não teve a intenção de se ausentar da diligência cumprida pela Polícia Federal naquele dia 14 de setembro.

 

“O depoente almoçou com sua esposa em Várzea Grandc, no restaurante Seu Polino,  tendo pagado a conta em dinheiro e para lá se direcionou diretamente após ter ido ao Bolo de Arroz, portando a mesma maleta e a mesma roupa com que saiu de casa: no Almoço, estava com sua esposa; não teve intenção de se ausentar da diligência realizada na data de 14 de setembro de 2017”.

  

“Após o almoço, voltou para casa e trabalhou à tarde na Assembleia Legislativa; Depois de ter trabalhado na Assembleia Legislativa, final da tarde de 14 de setembro de 2017, retornou para a sua residência e, após arrumar as malas, o depoente e sua esposa Anglizey, o vereador Maninho de Barros, a sua sogra Nilse Batin e seu filho Vinícius Fabris, bem como seu assessor Vitor, partiram em dois carros para Rondonópolis”.  

Credito: Jessica Bachega/HiperNotícias
Credito: Alan Cosme/Hipernotícias
Credito: Edson Rodrigues/HiperNotícias
Credito: Edson Rodrigues/HiperNotícias
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3 Comentários

Cuiabano - 30/09/2017

Nem criança do jardim de infância acredita. Ver obras em VG 5:30 hrs da manhã? Com a PF as coisas é mais embaixo. Seis meses de cana é pouco. Enquanto não aparecer a valise com os documentos a PP não é revogada kkkkkkk

Gilston - 30/09/2017

Desde quando Deputado levanta madruga hen! Ném pra pegar voos pra viajar eles levanta cedo. Aí tem coisa.

Davi - 30/09/2017

Vida de vagabundo é fugir da polícia mesmo.

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