Terça-Feira, 13 de Março de 2018, 17h:50

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"Em Mato Grosso, facções criminosas não têm vez", diz Pedro Taques

Por: LUIS VINICIUS

“Em Mato Grosso, facções criminosas não têm vez”. Essa é a afirmação do governador Pedro Taques (PSDB), sobre os vídeos que circulam nas redes sociais em que supostamente aparecem membros do Comando Vermelho (CVMT) decapitando e torturando bandidos que cometem crime em Mato Grosso. Em entrevista aos jornalistas na manhã desta terça-feira (13), o chefe do Executivo afirma que tem que investigar a veracidade das imagens e afirmou que o Estado não pode se tornar e nem é o Rio de Janeiro.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

pedro taques

 

“Nós temos que ver a veracidade desses vídeos. O secretário de Segurança Pública, Gustavo Garcia, está tomando providências e eu quero dizer de uma forma objetiva. Mato Grosso não é o Rio de Janeiro, aqui facções criminosas não tem vez”, disse o tucano durante o ato de filiação do deputado Leonardo Albuquerque, no Centro de Eventos do Pantanal.

 

O fato tem se tornado assunto no meio da Segurança Pública após a viralização de diversos vídeos que mostram criminosos usando de extrema violência para “punir” os que cometem crime. Chamado de “Salve”, o ato de tortura tem se expandido principalmente na Região Metropolitana para aqueles que cometem crime em lugares “não permitido” pela facção ou aqueles que queiram rivalizar pertencendo a outros tipos de organização criminosa. As cenas se assemelham com ataques do grupo extremista Estado Islâmico.

 

As decapitações

 

O primeiro caso que chamou atenção em Mato Grosso foi em agosto de 2017, no bairro Barreiro Branco, em Cuiabá. Com um pano na boca, mãos amarradas para trás e deitado, o taxista, Douglas da Silva Dantas, de 34 anos, foi degolado e morto por aproximadamente quatro criminosos, que diziam a todo o momento que pertenciam ao Comando Vermelho.

 

Alan Cosme/HiperNoticias

pedro taques

 Governador manda recado a facções: "não tem vez"

O crime pode ter sido uma espécie de acerto de contas a mando de alguém, tendo em vista que durante o crime, uma pessoa grita: "tá vendo, doutor. Tá vendo (sic)". Durante o crime, os autores do crime vibram: "É assim que faz com PCC. Vermelhão mata e PCC morre (sic)", dando alusão que matariam membro de uma facção rival.

 

O outro vídeo mais recente, mostra um duplo homicídio, que teria sido motivado por uma vingança pela morte da grávida de sete meses, Viviane Silva, 18 anos, que foi encontrada morta na Ponte de Ferro, em Cuiabá, no dia 18 deste fevereiro. Nas imagens, que foram compartilhadas em diversas redes sociais, dois homens têm suas cabeças arrancadas. Um rapaz de camisa azul amarrada na cabeça, identificado na filmagem como João, usa um facão para cortar e decapitar as vítimas, que estão de joelhos e com os braços amarrados. As vítimas estariam envolvidas na morte da grávida.

 

Durante o crime, os criminosos voltaram a dizer que faziam parte do Comando Vermelho. "Aqui é tudo 2, tudo 2", fazendo menção à sigla CV. O tal "João", recebe a ordem do rapaz que está filmando. "Vai João, vai João". Em seguida, o rapaz passa o facão no pescoço da vítima, que ainda viva chega a gemer de dor. Logo após o executor retira a cabeça do corpo e coloca ao lado do corpo do mototaxista. Até o momento, nenhum dos corpos das vítimas foi localizado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

 

Além dos vídeos das execuções, diversas imagens de pessoas sendo torturadas como fio de luz, pedaços de madeira e até facas são compartilhadas diariamente nas redes sociais. Para se ter ideia da audácia dos bandidos, membros do Comando Vermelho invadiram o Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) Prof.ª Almira de Amorim, no bairro CPA III, e fizeram que com que alguns alunos passassem momentos de tensão na quinta-feira (8).

 

Conforme informações, os invasores chegaram em três carros, pelo portão de acesso à unidade e estacionaram no pátio. Armados, eles chamaram alguns alunos que estavam na quadra poliesportiva e ordenaram que eles ficassem de joelhos para ouvir as ordens do grupo criminoso.

 

O grupo conversou com alguns dos estudantes e logo foram embora. Não houve violência, mas houve aviso e os proibiram de usar droga e fumar nas imediações da escola.

 

A secretaria de Estado e Segurança Pública por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) tentam identificar os criminosos.

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