Sexta-Feira, 09 de Fevereiro de 2018, 13h:59

Tamanho do texto A - A+

"Cabo Gerson passou por cima da ordem de coronéis", diz conselho ao negar liberdade

Por: JESSICA BACHEGA/MAX AGUIAR

Começou a segunda parte do primeiro dia de audiências sobre o escândalo dos grampos, em Mato Grosso. Pela manhã, o magistrado Murilo Mesquita, titular da Vara Militar de Cuiabá, acompanhado do Conselho de Sentença, formado por coronéis, ouviram várias testemunhas e o autor da denúncia das interceptações telefônicas clandestinas, Mauro Zaque. 

 

Alan Cosme - HiperNotícias

Andrea pm

 Sargento Andrea Cardoso era a responsável pelas transcrições

Todos os réus, que são militares, foram convocados para assistirem as audiências. Eles serão julgados por um conselho compostos por coronéis da reserva da PM. O sorteio dos nomes ocorreu no dia 26 de janeiro. Foram nomeados os coronéis Elierson Metello de Siqueira, Valdemir Benedito Barbosa, Luís Claudio Monteiro da Silva e Renato Antunes da Silveira Júnior.

 

Também foram definidos três coronéis suplentes para o conselho: Pedro Sidney Figueiredo de Souza, Lilian Teresa Vieira de Lima e Raimundo Francisco de Souza. Caberá agora ao Conselho Especial de Justiça promover todos os atos do processo, assim como julgar pela procedência ou não dos crimes apontados. 

 

O representante do Ministério Público, que acompanha o caso, é o promotor a Allan Sidney do Ó. 

 

Sargento trabalhou de casa

 

Nesta tarde, a primeira a ser ouvida é a sargento Andrea Cardoso, a primeira delatora do caso. Ela informou que foi encaminhada pelo coronel Zaqueu Barbosa para atuar nas escutas.  Ela teria os nomes com os respectivos números a serem interceptadas. 

 

Alan Cosme/HiperNotícias

andreia julgamento costa grampo.jpg

 Audiência sobre o grampos começou no período da manhã

14h - Andrea era a responsável transcrever as escutas. Atualmente ela serve ao pelotão da Cavalaria da PM. Ela trabalhou entre agosto de 2014 até junho de 2015. Nesse período houve  dias em que as escutas não eram transcritas.  O trabalho era sempre no período da tarde. 

 

14h01 - Cabo Gerson Correa e cabo Torezan frequentavam a central de escutas. Segundo ela, todo o material transcrito era entregue para Gerson. Vale ressaltar, que Gerson e coronel Zaqueu Barbosa são os únicos presos por conta dos grampos clandestinos. 

 

14h05 - A policial conta que parte do seu trabalho de transcrição foi realizado no escritório e parte na casa dela em seu computador pessoal.



14H07 - Andrea ainda disse que soube dos ilícitos após veiculação das matérias na imprensa. Após saber, ela procurou a corregedoria da PM.

 

14H10 -  Questionada sobre sua participação no esquema dos grampos, a sargento disse: "não sei porque fui chamada, mas na época me senti lisonjeada pelo comandante geral ter me escolhido".

Alan Cosme - HiperNotícias

cabo torezan

 Cabo Torezan é formado em tecnologia da informação e foi chamado por Zaqueu para operar esquema

14h20 - Por fim, sargento Andrea diz que teme pela sua vida e de sua família, por conta da repercussão do caso. 

 

14h22 - Encerrado o depoimento da sargento. 

 

14h30 - O próximo a ser ouvido é o cabo Euclides Luiz Torezan. Ele presta serviços ao Grupo de Atuação e Especial contra o Crime Organizado. 

 

14h32 - Torezan conta que no final de 2014 foi procurado pelos coronéis Alexandre Lesco e coronel Zaqueu Barbosa para tratar sobre a montagem de um  setor para investigação de crimes militares e que cabo Gerson estaria a frente do setor.

14h36 - Ele disse que trabalhava no Gaeco faria a instalação dos equipamentos no horário folga. O militar é formado em tecnologia da informação e possui habilidades para esse tipo de operação.


Alan Cosme - HiperNotícias

cabo gerson

 Cabo Gerson (camisa cor de rosa) e seus advogados no Fórum de Cuiabá

14h37 - Ao conselho, a testemunha esclare que o sistema sozinho não funciona. Que é preciso autorização judicial para que a operadora de telefone desvie as ligações para o sistema.


14h45 - Torezan conta que o intuito era desenvolver o programa de escutas para posterior comercialização.


14h46 - O sistema foi batizado de Sentinela e podia ser acessado de forma remota, longe do computador.  Para tratar do assunto das escutas, foi criado um grupo de WhatsApp também chamado Sentinela. 

 

14h55 - Torezan disse ao conselho que foi procurado pelo subtenente Santos que deu o recado de que era para o cabo procurar o cabo Gerson e coronel Ronelson Barros para alinharam os depoimentos.


Alan Cosme - HiperNotícias

gerson

Cabo Gerson foi elogiado pelo trabalho com interceptações: "um dos melhores que conheci"

15h04 - O  cabo disse que recebeu ligações insistentes para que falasse com Gerson e Barros, porém ele rejeitou as chamadas e compareceu à Décima primeira Vara, acompanhado de seu advogado, para apresentar os documentos que tinha sobre o sistema de escuta.

15h09 - "Cabo Gerson é um dos melhores profissionais do Estado no setor de interceptações. Ele esteve em todos as grandes operações entre elas o Novo Cangaço.  A gente tinha ferramenta mas não sabia usar.  Gerson sabia fazer esse cruzamento de interceptações manualmente. Muita quadrilha foi desmantelada devido ao trabalho do Cabo Gerson", afirma Torezan.

15h20 - "Meu nome foi jogado no lixo por suposições de que eu tenha participado disso", desabafa o militar, citando várias matérias veiculadas  na imprensa, nas quais tem seu nome ligado ao esquema clandestino.

15h25 - Ao responder os advogados, Torezan disse que pediu afastamento da corporação para se dedicar ao desenvolvimento de sistema de escutas.

 

15h50 -  O juiz Murilo Mesquita indaga a testemunha, Euclides Torezan, sobre sua participação do Sistema Sentinela, utilizado para monitorar os telefonemas. Em resposta, Torezan disse que "medo a gente sempre tem ". Ainda de acordo com ele, um amigo lhe disse que cabo Gerson havia dito que iria o matar.  "Parece que ele achava que eu que o tinha denunciado ao Zaque", explicou.

 

16h00 - Depoimento do Cabo Euclides Torezan é encerrado pelo juiz Murilo Mesquita. O interrogado agora será o sargento Cleyton Dorileo Barros, acusado de ser um dos operadores do esquema, na companhia de Gerson e Andrea. Os serviços dele no esquema teria sido solicitado após aumento na 'demanda de serviço'.  

 

Alan Cosme/ HiperNotícias

cabo dorileo

 

16h10 - No depoimento, sargento Cleyton disse ter sido convidado pelo coronel Januário Edwiges Batista para ir até a sala do comandante Geral. No local, estavam coronel Zaqueu Barbosa, Januário e o coronel Josenildo Assis. "Ele queria que eu o ajudasse a limpar a polícia.  Eu aceitei porque queria ajudar a instituição”, afirmou ao promotor Allan Sidney do Ó

 

16h25 - Segundo Cleyton, seu serviço se resumia em “ouvir policiais suspeitos” por meio das escutas. O militar trabalhava no Batalhão de Operações Especiais (Bope) e após aceitar a proposta dos coronéis, foi levado até uma sala, onde eram realizadas as escutas. "A gente colocava tudo no Word que achasse fora do normal, em relação a drogas, vendas de armas, tráfico. Era muito cansativo, as ligações eram muito ruins", reclamou. 

 

16h30 - Sargento Cleyton Dorileo ainda revela que na época em que trabalhava monitorando ligações, houve uma movimentação entre policiais para ‘pegar’ munições da Polícia Militar e vender, posteriormente. O cabo Gerson era o responsável por elaborar os relatórios. 

 

Alan Cosme - HiperNotícias

promotor Sidney do Ó

Promotor deu parecer favorável à prisão

16h40 - O promotor Allan Sidney do Ó fez algumas perguntas ao Sargento Cleyton Dorileo a respeito de codinomes utilizados na lista de grampeados. Um  dos nomes citados pelo promotor é “Mu Mu”, apelido dado ao jornalista José Marcondes Muvuca. A testemunha negou conhecer os nomes.

 

"Nem sempre a gente conseguia identificar a pessoa. A ligação era muito ruim", justificou. Ainda segundo Dorileo, ele ficou muito surpreso quando viu notícias na mídia sobre as ilegalidades das escutas. 

 

16h55 - Após passar por sabatina realizada pelos advogados de defesa dos réus, o depoimento da testemunha, sargento Cleyton Dorileo Rosa Barros, foi encerrado. .

 

17h10 - O Ministério Público Estadual lê o parecer pela manutenção da prisão dos militares, solicitada pelas defesas dos réus Zaqueu Barbosa e Gerson Correia. A defesa entende que ambos já passaram por muito tempo preso, sendo o total de oito meses e meio.

 

Alan Cosme-HiperNotícias

Coronel Zaqueu

 Coronel Zaqueu permanecerá preso, em cela especial na Academia da Polícia Militar

"Temos testemunhas a serem ouvidas e dois militares que disseram temer pela situação e foram constrangidos. Portanto, o MP é favorável à manutenção da prisão. Se o magistrado entender ao contrário, pedimos que se forem soltos, ambos sejam impostos a cautelares, como  colocação de de tornozeleiras eletrônicas nos acusados", afirmou o promotor. 

 

Além disso, o MPE também acolheu o pedido da defesa do coronel Ronelson Barros, que solicitou a revogação da prisão domiciliar. O MPE, entretanto, manteve a tornozeleira do coronel.  

17h28 - Promotor Alan Sidney do Ó: "dada a complexidade do caso; o número de réus (cinco) e a gravidade concreta dos fatos, recomendam a manutenção da prisão preventiva", finaliza. 

17h37 - Juiz Murilo Mesquita acata parecer do Ministério Público e mantém a prisão de cabo Gerson Correa e Coronel Zaqueu Barbosa. 

17h38 - O magistrado agora analisa pedido das defesas dos outros réus, que pedem a suspensão da prisão domiciliar dos outros militares. 

17h40 - Após a decisão do magistrado, outros cinco coronéis que fazem parte do conselho de sentença votam se acatam ou não a decisão do juiz.

 

17h45 - Dois coroneis votaram pela manutenção da prisão.

17h50 - Outros dois votaram pela prisão domiciliar do coronel Zaqueu Barbosa. 

17h54 - O último dos coroneis que votaram votou pela prisão domiciliar de Zaqueu, o que derruba a decisão do juiz Murilo Mesquisa e muda a preventiva de Zaqueu para prisão em domicílio com uso de tornozeleira.  

17h55 - Porém, diferente de Zaqueu, todo conselho militar votou pela manutenção da prisão de cabo Gerson Correa. A decisão unânime calou o tribunal. "Tomou decisão acima do coronel. Por isso deve continuar preso", disse o ultimo conselheiro a votar. 

Avalie esta matéria: Gostei +2 | Não gostei - 6

Leia mais sobre este assunto




1 Comentários

Carlos Nunes - 09/02/2018

Puxa vida! Essa novela de espionagem tupiniquim tá complicada a beça...tá parecendo aqueles filmes policiais antigos, onde a gente já sabia quem era o culpado...O MORDOMO. Nessa espionagem do Cabo o culpado é o Cabo. Afinal de contas a corda arrebenta sempre do lado mais fraco. Resta saber: quem deu ordens pro Cabo? quem deu ordens pra quem deu ordens pro Cabo? Quem deu ordens pra quem deu as ordens até chegar no Cabo? Espionagem é assim mesmo...a gente vai puxando o fio, e quando assusta já chega no Chefão dos Grampos. E Chefão é intocável...não vão chegar até ele nunca. É melhor ferrar só o Cabo mesmo. Afinal de contas o que é um pobre mordomo, digo, Cabo. Um detetive dos bons, tipo Sherlock Holmes, decifraria essa novela de espionagem tupiniquim.

INíCIO
ANTERIOR
PRÓXIMA
ÚLTIMA