Sábado, 03 de Novembro de 2018, 16h:40

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Qual a tua formação?

Há uma diferença abismal, entre, tu discutires a política em uma perspectiva simplista do termo

Por: RODRIGUES DE AMORIM SOUZA

 

Está pergunta, para muitas pessoas, soam como um certo desconforto ou até mesmo uma ofensa. E, é, na medida em que tu utilizas como recurso para desqualificar teu interlocutor.

 

Contudo, quando o contexto requer uma discussão sistematizada, dada a complexidade do tema em pauta, faz-se necessário o domínio de certos elementos conceituais, para que haja a construção dos pontos de vistas e das perspectivas, em torno do tema abordado.

 

Como exemplo, cito a (discórdia) Política. Tema esse que todos acham que dominam e que se resume a questões partidárias de A ou B, ou que não se coligou com C.

 

Há uma diferença abismal, entre, tu discutires a política em uma perspectiva simplista do termo, como acontece nas rodas de conversas de bares, praças, períodos eleitorais, entre outros. Onde não se percebe o compromisso do diálogo contextualizado. Mas apenas a retórica fragmentada de um conjunto de reproduções latente que permeia o debate.

 

A outra, é tu discutires a política (como um conceito sistematizado), a partir da construção de narrativas, de ideias (e não de ideologias) ou seja, da fundamentação de argumentos históricos, analíticos e reflexivos, e que sejam capazes, de criar uma lógica contextual e dialética da realidade debatida.

 

Que seja capaz de construir um cenário analítico a partir dos diversos atores que compõe a cena, de tal forma, que os argumentos que não se percebem nesta conectividade de sentidos, logo se transformam em qualquer outra coisa (violência), que não seja o diálogo.

 

Pensar sobre a política (e na política), é sair das zonas de conforto, é problematiza-la, para além do que é perceptível nos discursos inflamados dos microfones, dos sorrisos, dos apertos de mãos e abraços forçados. É perceber que a um corpo carregado de idiomas e significados em movimento, que não é sentido nos planos e nas plataformas, que são meros instrumentos alegóricos. Mas que é passível de uma análise crítica, quando as ferramentas formativas são acionadas para pensar o que se propõe.

 

Outro exemplo, que vem ganhando espaço nos debates cotidianos, é do (sobre o) CORPO. Quais os idiomas e as narrativas para pensar esse conceito estruturante de relações sociais? A cultura A pensa o corpo de uma determinada forma e maneira, seja como espectro de liberdade, seja como um objeto cognitivo sujeitado a regras morais e sociais. Já a cultura B pensa o corpo, a partir de complexas redes de relações, que não se resumem, muitos menos se limitam, apenas nas fronteiras físicas da imanência. A cultura C, por outro lado, pensa o corpo, partir de uma estrutura mercantilista, onde esse corpo ocupa uma função (real e simbólica) de satisfazer algumas necessidades – para uns licitas – e, para outros, ilícitas.

 

Desta forma, faz-se necessário, e em determinados contextos, SABER SIM, qual a formação do teu interlocutor. A partir de que referencia ele articula e estrutura seu pensamento, sua ideia, ou, até mesmo, a sua intencionalidade com o diálogo. Mesmo porque, a uma tendência, recorrente no meio social, cultural, político, religioso, que se resume a seguinte frase: na falta de argumentos desqualifique teu interlocutor.

 

Então, não te sintas constrangidos/as, quando te perguntares: qual a tua formação?

 

*RODRIGUES DE AMORIM SOUZA é acadêmico de Ciências Sociais da UFMT.

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2 Comentários

Marcia Del Vecchio - 05/11/2018

Exatamente. Temos que pessoas que são formadas por correspondência, ou até mesmo por simbiose, e acha que consegue explicar a corrupção que é estrutural, histórica e sistêmica, resumindo a um partido político. Valha-me!

Carlos Nunes - 04/11/2018

A resposta pra todos os problemas brasileiros é simples...o Brasil é o melhor país do mundo, tem muitas riquezas naturais, tem povo trabalhador, só falta a sumida HONESTIDADE. Sem a HONESTIDADE nunca vai dar certo. Tomemos o exemplo da CPMF, criado pelo Dr. Adibe JATENE, pra resolver o problema da Saúde...arrecadou BILHÕES DE REAIS, aí, apareceram OS SANGUESSUGAS que passaram a mão na grana. Onde tem muito dinheiro, aparece sanguessugas, larápios, gatunos, corruptos e corruptores. Os mais de 70 executivos delatores da Odebrecht disseram: o maior ralo de Corrupção no país são AS LICITAÇÕES. Ih! Tem Licitações municipais, estaduais e federais...quando a Impensa anuncia que abriram mais uma Licitação milionária nesse brasilzão, a gente lembra os delatores da Odebrecht, e pensa: Vão passar a mão no dinheiro mais uma vez. Ninguém vai ficar sabendo de nada...até aparecer mais um delator premiado, abrir o bico e contar estórias. Vem aí a delação do Palocci, que vai contar sobre Como a Organização Criminosa Sistêmica passou a mão na propina dos Fundos, dos Aviões e do Pre-Sal. O que mais o Palocci vai contar? Brevemente saberemos...afinal de contas a Verdade sempre aparece e a Justiça tarda mas não falha. O pessoal do mal tá pelando de medo do MORO, pois como Ministro da Justiça ela vai fortalecer a PF, dotando de melhor tecnologia de ponta, mais recursos humanos preparados...pra investigar mais, fuçar mais...e fuçando bem fuçado acha.

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